Resumo

É que isso tudo me atravessa. De um jeito que os bêbados, os trêbados, os héteros… Só o corretor me entende. Dói simplesmente ser. Ver. Existir.
A velocidade em que o carro avança é proporcional ao desespero em que o espírito tenta se encontrar. Nos trancos e barrancos do celta sob o motorista que trafega ao telefone e tenta não bater, a gente tenta ser certo.
E não consegue.

Mas existe. O alarme do carro ultra-moderno apita à janela, acordando todo o bairro. É fácil acordar o bairro inteiro. A brisa aguda que atravessa o prédio. O porteiro, alheio ao pedido que chegou. O excesso de opções. A falta.

Me entrego. O eu escraviza. A boca falha, e seca. O beijo é caro. A rotina me come dos pés e, de volta, aos pés. O amigo me mandou escrever.

Sei lá se uso além do vocabulário adquirido. Trinta anos. Os ombros se impõem porque querem. Sem consulta ao sinônimos ponto com ponto bê erre. Estamos todos em um buraco que, de tão fundo, é cômico. Ninguém consegue ser o que deve. Rá rá rá. Ainda ganhamos dinheiro. Estudamos tanto… Euro… Dólar… O que vale mais no mercado argentino? Qualquer coisa, menos reais.

Eu te amo, e você foi o único a não entender o quão dilascerantemente isso era tudo. Neologismo. Nós dois. Uma pena. Alguns anos depois, canção.

Ah… As veias da forma que as sinto. Sangrias que não têm fim. Perco as contas e agradeço o que fez por mim.

Pare e veja: exatamente a quem devia chegar esta mensagem, o caminho faz-se torto, o discurso vira uma frase atribuída à Clarice Lispector… Você vai me olhar com aquele ar de “eu não entendi nada”.

Vou ali amassar o rosto com brumas mais caras que tua tez.

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